Motorola desafia regras da UE sobre atualizações de segurança: o que isso significa?

A Motorola está sob os holofotes após surgir a informação de que a empresa pode estar tentando contornar as novas regras da União Europeia sobre atualizações obrigatórias em smartphones. O caso chama atenção principalmente porque envolve modelos de entrada, como o Motorola Moto G06, vendido por menos de €100 em lojas da Europa.

Motorola tenta interpretar a lei da UE de forma diferente

A partir de junho de 2025, todos os smartphones vendidos na União Europeia devem receber atualizações de software por vários anos. De acordo com a diretiva, as atualizações precisam ser disponibilizadas gratuitamente e devem continuar por cinco anos após o fim da venda do dispositivo.

Contudo, segundo informações divulgadas pelo Notebookcheck, os advogados da Motorola interpretam o texto legal de outra forma. A empresa argumenta que a regra não obriga os fabricantes a fornecer atualizações, mas apenas determina que, caso existam, elas não podem ser cobradas.

Até o momento, não há registro de nenhuma grande fabricante que tenha cobrado por patches de segurança, o que torna essa interpretação incomum. A situação abre espaço para um possível embate com a Comissão Europeia.

Atualizações curtas podem prejudicar a competitividade

O Motorola Moto G06 é citado como exemplo da dificuldade em manter suporte prolongado em aparelhos muito baratos. Adaptar patches de segurança exige desenvolvimento específico para cada modelo, o que pode elevar custos em dispositivos vendidos por cerca de €100.

Apesar disso, outros fabricantes já oferecem suportes mais extensos:

・Samsung: até sete anos de updates em modelos recentes

・Google: sete anos em toda a linha Pixel mais nova

Há relatos de que algumas marcas também tentam explorar brechas para reduzir a obrigação em aparelhos de entrada, mas nada oficialmente confirmado.

Mesmo assim, limitar o suporte do Moto G06 a apenas dois anos de atualizações, como planejado, pode colocar a Motorola em desvantagem competitiva dentro da Europa. Isso é especialmente lamentado porque o aparelho recebeu boas avaliações — principalmente pelo chassi bem construído e pela tela brilhante.

Consequências e próximos passos para a Motorola

A postura da Motorola indica que a empresa talvez esteja tentando ganhar tempo para ajustar seus processos internos antes de se adequar completamente à lei da UE. No entanto, a União Europeia tem reforçado o compromisso com sustentabilidade, reparabilidade e vida útil prolongada dos dispositivos eletrônicos — pontos que entram diretamente em conflito com atualizações curtas.

Por enquanto, não há informações sobre impacto no mercado brasileiro. Como a política é específica da União Europeia, nenhum modelo Motorola vendido no Brasil sofreu alteração em cronogramas de atualização. Caso a UE avance para uma disputa formal, isso pode influenciar futuras decisões globais da marca, mas não há nada confirmado.

O que fica claro neste cenário

O caso ressalta a importância das políticas de atualização na experiência do usuário, especialmente em smartphones de baixo custo. Enquanto fabricantes como Samsung e Google ampliam seus compromissos, a Motorola adota uma interpretação que pode gerar um debate regulatório significativo na União Europeia. Para quem acompanha o setor, esse embate pode influenciar futuras regras e estratégias em todo o mercado.

Fonte: Notebookcheck